O roteirista e diretor Shane Black (autor do roteiro de Máquina Mortífera) foi um dos grandes responsáveis pela guinada na carreira de Robert Downey Jr, quando o chamou para protagonizar a comédia “Beijos e Tiros”. Já a franquia “Homem de Ferro” foi a grande responsável pelo estabelecimento de Downey Jr. como um astro de primeiro escalão – tornando o ator um dos mais bem pagos da atualidade. Sendo assim, a reunião da dupla no terceiro capítulo da saga de Tony Stark tinha tudo para dar certo. Mas o resultado, apesar de positivo, não chega a ser o esperado.
O roteiro, escrito pelo próprio cineasta ao lado de Drew Pearce (criador da ótima série britânica “No Heroics”), acompanha Stark após os eventos mostrados em Os Vingadores. O herói agora sofre as consequências psicológicas do seu encontro com aliens e deuses. Dando-se conta da sua imponência em relação a tais forças, Stark se esconde em sua oficina, construindo armaduras cada vez mais poderosas e avançadas. O avanço tecnológico também é visto no desenvolvimento da tecnologia extremis, combinação dos estudos de Maya Hansen (Rebecca Hall) e Aldrich Killian (Guy Pearce), que visa desenvolver o ser humano a tal ponto que ele seja capaz de se curar sozinho.
Buscando criar um clima melancólico, Homem de Ferro 3 acaba assumindo um tom mais pesado, o que automaticamente tira da zona de conforto o personagem e também o diretor. A experiência de Black se resume a comédia de ação de pouca profundidade, e não a abordagens intimistas de seus personagens. E Downey Jr. ficou conhecido (e se estabeleceu) pelo seu jeito engraçadinho e descontraído, papel que ele reprisou nos dois Sherlock Holmes e em Trovão Tropical – pouca gente se lembra, por exemplo, que ele concorreu ao Oscar por sua excelente, e igualmente melancólica, personificação do ícone do cinema Charles Chaplin, no drama “ Chaplin” (1992).
Isso não significa que o filme não tenha elementos cômicos na sua narrativa. Ele tem. Só que tais elementos acabam não funcionando tão bem em meio a essa abordagem mais “séria”. O próprio Robert Downey Jr., grande destaque das produções anteriores, não tem muita graça. De todas as piadas que ele faz ao longo da projeção (a maioria envolvendo a armadura que não chega até ele como planejado), poucas são realmente engraçadas. Em certo momento, chegarem a fazê-lo contracenar com uma criança, na busca de um timming cômico mais apelativo, o que também não funciona. Sobra então para os coadjuvantes se destacarem nos momentos engraçados. Já isso funciona muito melhor.
O roteiro merece destaque pela maneira como desenvolve o personagem do Mandarim. Procurando não entregar nenhuma surpresa, vale mencionar apenas que é uma decisão corajosa e bastante condizente com o tema apresentado. Entretanto, o mesmo não pode ser dito dos ataques de pânico do protagonista, que são logo descartados da narrativa sem maiores explicações.
(Iron Man 3 - Ação - EUA - 2013 - 130 min.)
Direção: Shane Black
Roteiro: Shane Black e Drew Pearce
Elenco: Robert Downey Jr., Guy Pearce, Ben Kingsley, Gwyneth Paltrow, Rebecca Hall, Paul Bettany, Don Cheadle, Jon Favreau.




